25.1.08
HIPOCONDRIA, POBREZA E LOUCURA

Hipocondria moderna, saca? É isso que eu tenho.
A cabeça dói muito, o corpo tá fraco, os cabelos caem horrivelmente, as unhas quebram, o desânimo impera.
Os exames deram algumas alterações, mas o senhor doutor do SUS disse que não é nada preocupante. Eu devo ter tomado analgésicos demais, por isso a elevação nos linfócitos, no potássio e na TGO. (se eu fosse pelos resultados do Google, tava com leucemia ou insuficiência renal ou hepatite)
Receitou uma injeçãozinha pra dor básica (na bunda, que está roxa e dolorida até agora) e me mandou consultar um psiquiatra, que ele não poderia fazer mais nada por mim.

Imagina se eu tivesse comentado que o nome dele é um palíndromo perfeito? Sairia de lá de camisa-de-força, claro.

Que saudades do tempo em que eu podia pagar convênio médico. Aiai.


Em tempo: nome do senhor doutor do SUS - > Zinid Diniz.
(os pais dele deviam ser amantes da língua portuguesa, naturalmente.)

o.O
Publicado às 15:08 :: Diga algo, se achar que deve:




18.1.08
O PAPELEIRO




O celular desperta às 6:30. Tateia no escuro apertando botões que não enxerga. Vira para o outro lado e dorme. Às 6:40, a cena se repete. Às 6:50, levanta da cama em um salto: - Putaquepariu! – invariavelmente as primeiras palavras de todos os dias.
Qualquer roupa, café solúvel com leite desnatado bebido em dois goles só , lava o rosto, escova os dentes, olheiras profundas, bocejos incontroláveis, as lentes de contato, - estas rugas eu não tinha - , não dá tempo pra passar o Renew, muito menos maquiagem, o cabelo preso de qualquer jeito, os brincos ela não dispensa : sempre grandes, óculos escuros maiores que o rosto, maxibolsa que pesa no ombro, uma maçã pro almoço, o Caio pra ler na viagem, - tchau filha, que eu tou atrasada, te comporta, hein? – correndo pra pegar o ônibus, mesmo motorista, mesmo cobrador, mesmos passageiros, os avestruzes na Baltazar, o engarrafamento, as obras que não terminam nunca, o suspiro perdido no caminho do trabalho que não levará a nada, agora ela sabe.
Desce na Assis Brasil, fila, outro ônibus, o T7 sempre lotado, a bruxa velha encarando, - tem gente que não se enxerga – desce no viaduto da Nilo, caminha duas quadras e... seria tudo sempre igual a todas as manhãs, não fosse o encontro com o papeleiro.
Caminha apressada olhando para baixo, chegar no escritório e fazer uma café preto e bem forte, espantar o sono e enganar o estômago, - preciso de um aumento pra poder viver mais dignamente -, nem presta muita atenção no homem que vem ao seu encontro puxando uma carroça na calçada da Carlos Gomes. Quando dá por si e enxerga o papeleiro à sua frente, em segundos pensa que talvez não seja tão ruim assim a vida, já que ser secretária de um empresário da construção civil ainda parece ser mais rentável do que recolher lixo na rua, que talvez seja mesmo ingratidão reclamar da vida e ... pensamento bruscamente interrompido por uma cuspida na perna.
A gosma ainda quente e viscosa escorrendo da canela até o pé, ela emudecida pela atitude inesperada, o papeleiro segue seu caminho , mais uma quadra pela frente até o escritório, o cuspe que veio das entranhas de alguém que sobrevive do lixo alheio ali, na pele, a ânsia de vômito, a vontade de correr e correr, - maldito tamanco de salto alto!
Na entrada do prédio o bom dia ensaiado do porteiro, responde com um sorriso forçado, sem paciência pra esperar o elevador, vai mesmo de escada, - cadê a chave que eu nunca acho nesta maldita bolsa? – abre a porta finalmente, direto pro banheiro, perna erguida, pé dentro da pia, lava lava lava, esfrega esfrega esfrega, - lixeiro filhodaputa, vai cuspir na granfinagem que mora por aqui, não em mim, pobre coitada que venho do subúrbio, que pego quatro conduções todos os dias, que não tenho dinheiro pra um almoço decente, que não tenho culpa da tua miséria.
Conta a história pro motorista, pra moça da limpeza, pra filha quando chega em casa, pras irmãs, pra mãe, todos unânimes em afirmar que ela deveria, ao menos, ter dito uns bons palavrões ou cuspido de volta na criatura. - Deveria era ter chutado o êstomago dele e quando caísse, chutado mais e mais e mais, mas pena, não estava com meu sapato de bico fino, nem tenho tanta força assim - dito sem pensar, cheia de ira e indignação, os dentes rangendo, o punho cerrado, a respiração ofegante.
Dois dias inteiros passados e o episódio que não sai da cabeça. Mas agora acha que talvez não tenha tanta raiva do infeliz que cuspiu sua raiva-ódio-nojo da injustiça social nela quanto tem dos granfinos metidos à besta, podres por dentro, e que fedem ainda mais do que todos os catadores e todo o lixo da cidade, do país, do mundo inteiro. Como o chefe, a quem serve café acompanhado de sorrisos falsos todos os dias.
Publicado às 11:54 :: Diga algo, se achar que deve:




11.1.08
SEXTA-FEIRA

daí que já é quase fim-de-semana de novo. putaquepariu!
e eu nem fiz nada que prestasse no trabalho nos últimos dias, a coisa toda se acumulou, e quanto mais eu penso nisso menos vontade de fazer algo eu tenho. e também não vai ser agora, sexta à tarde, que eu vou resolver qualquer coisa que exija o mínimo de concentração. ainda mais com esse calor dos infernos, que já tá dando as caras de novo depois do temporal de hoje pela manhã. (eu vi --> 40°C num termômetro da nilo às 18:02 ontem)
as roupas que eu lavei (a brastemp lavou) no domingo passado estão amontoadas num canto do quarto e eu nem sequer as dobrei ainda. no outro canto, mais uma pilha esperando pra ser lavada. na pia da cozinha tem louça de três dias atrás, não tem mais colheres e copos limpos, os descartáveis já se acabaram e uma grossa camada de pó cobre os móveis da sala.

e não vá pensando ao ler isto que eu sou uma profissional relapsa ou uma dona-de-casa desleixada.



é só o desânimo em relação a tudo e todos.


só.



----



em tempo:
meu celular morreu afogado e, ameba que sou, não salvei a agenda telefônica nem no chip e nem em lugar nenhum.
se porventura o caro leitor acha interessante figurar em minha lista de contatos, mande-me um emeiou com seu(s) número(s).
agradeço.
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